Bancada de MS se divide sobre aumento do fundo eleitoral para R$ 3,8 bilhões

Os deputados federais de Mato Grosso do Sul se mostraram divididos sobre o aumento do fundo eleitoral que pode chegar a R$ 3,8 bilhões nas eleições municipais de 2020. A Comissão Mista da Câmara dos Deputados aprovou o relatório que aumenta o recurso de campanha.

O valor é R$ 1,8 bilhão superior à proposta encaminhada pelo governo, que foi de R$ 2 bilhões. O montante final deve ser votado em plenário no dia 17. O aumento é de aproximadamente 120% do montante desembolsado nas eleições do ano passado, quando os partidos receberam R$ 1,7 bilhão da União.

A medida uniu partidos rivais, como PSL e PT, e prevê corte de recursos em saúde, educação e infraestrutura. Também manifestaram apoio PP, MDB, PTB, PL, PSD, PSB, Republicanos, PSDB, PDT, Solidariedade e DEM.

Na bancada sul-mato-grossense, o deputado Luiz Ovando (PSL) se mostrou contra o aumento do chamado “fundão”. “O motivo simplesmente é a coerência. O País não tem dinheiro, são coisas evitáveis. Hoje temos formas de fazer campanha eleitoral, não precisa necessariamente de dinheiro”, diz o parlamentar.

Luiz Ovando afirma que não conversou com ninguém sobre o posicionamento dentro do partido. “É uma questão de foro íntimo, de convicção”, concluiu.

O deputado Dagoberto Nogueira (PDT) vai ao sentido contrário e defende a proposta aprovada pela comissão. “É melhor fazer campanha com dinheiro público do que com dinheiro que pode dá problema, como [aconteceu] na Lava Jato. Quando teve dinheiro privado houve denúncias de corrupção”, defende.

O pedetista avalia que o uso do recurso público terá como consequência fiscalização maior. “É muito melhor do que com a forma que estava, estamos tentando [melhorar]”, completa.

Do PSDB, Rose Modesto diz ser contra o aumento do “Fundão”. “Lá atrás já foi organizado o financiamento público para eleições”, argumenta. “Sou contra aumentar qualquer valor neste momento tão delicado do País”, reforça.

Na opinião dela, cortes em áreas fundamentais não podem ser autorizadas para garantir dinheiro aos partidos. “Vou dar um exemplo da Educação, o MEC só fala em cortes, contigenciamento, seria ir na contramão do país. Se tem recurso para investir, não pode ser nas eleições. Não tem justificativa”.

O Campo Grande News procurou os deputados Beto Pereira (PSDB), Loester Carlos (PSL), Bia Cavassa (PSDB), Vander Loubet (PT) e Fabio Trad, mas nenhum atendeu aos telefonemas ou deu retorno até a publicação da matéria.

Cortes – Reportagem publicada pelo jornal Folha de São Paulo mostra que o aumento foi viabilizado depois de cortes em áreas com impacto social. O maior foi em saúde, cerca de R$ 500 milhões. O Fundo Nacional de Saúde receberá menos para programas como Farmácia Popular, onde o corte foi de R$ 70 milhões. Infraestrutura e desenvolvimento regional perderam R$ 380 milhões. Para reforçar o fundo, serão prejudicadas obras de habitação, saneamento. A Educação também perdeu R$ 280 milhões.

No Ministério do Desenvolvimento Regional, o Minha Casa, Minha Vida, ficou com R$ 70 milhões a menos.

 

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