Polêmica, cloroquina é usada em MS sob indicação médica e com aval de paciente

Longe de politização, pacientes já usam o medicamento em hospitais do Estado.

Campo minado pela politização – com direito à anedota  presidencial de quem é de direita usa cloroquina e quem é de esquerda, tubaína – o medicamento é usado em Mato Grosso do Sul em pessoas com o novo coronavírus de acordo com a decisão da equipe médica e com autorização do pacientes.


Ontem, o Ministério da Saúde divulgou orientações para ampliar o acesso de pacientes com covid-19 ao tratamento medicamentoso precoce, ou seja, no primeiros dias de sintomas. No entanto, também informa que o acesso desses medicamentos só é possível por meio de prescrição médica.

Segundo o ministério, é de competência do médico, em concordância declarada por escrito pelo paciente, o uso do tratamento. No HR (Hospital Regional) Rosa Pedrossian, que é referência para a doença em Campo Grande, o medicamento, na versão hidroxicloroquina, está disponível e é receitado em geral a pacientes internados e com quadro de falta de ar.

“É importante monitorar a parte cardíaca, principalmente paciente que já traz comprometimento cardíaco. Eles são monitorados com eletrocardiograma. A gente ainda não tem tratamento específico para a covid, tudo é a título experimental. O mais importante é utilizar a droga em que esteja sendo observada vantagem clínica”, afirma o infectologista Rodrigo Nascimento Coelho, do Hospital Regional.

A utilização do medicamento segue um protocolo, que já define a dosagem para o paciente.

A infectologista Mariana Croda, da Faculdade de Medicina da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) e do comitê de operações de emergência do Estado, reforça a palavra final da equipe médica. “Cabe ao médico a tomada de decisão. O Ministério da Saúde deixa muito claro que não é obrigação. O médico pode prescrever dentro de critérios, que muitas vezes não são fáceis de ser preenchidos. Tem sido usado em pacientes internados, com grau de gravidade”, afirma.

A especialista aponta que a cloroquina, remédio conhecido pelo uso contra a malária, se projetou na contenção na multiplicação viral. “A forma  grave da doença aparece na fase imune, quando seu corpo está tomando reação à aquela ação viral”. A expectativa era de modular essa resposta do organismo, mas os ensaios clínicos com a cloroquina não deram segurança para ampliar a indicação do remédio. “Muito mais pressão popular do que evidência científica”, avalia Mariana Croda.


Ao longo da pandemia, que chegou em março a Mato Grosso do Sul, o Campo Grande News relatou casos de pacientes aos quais foram administrados a cloroquina e venceram a doença, como o primeiro paciente de Corumbá, e também caso de quem tomou o medicamento e veio a óbito, como uma mulher idosa em Paranaíba.

Repercussão – As secretarias de Saúde do Estado e de Campo Grande informam ter cloroquina em estoque, com uso definido por equipes médicas de acordo com protocolo.

“Temos em estoque e tem na Casa da Saúde. A utilização é da alçada e competência do médico. Mas não há evidência de que o uso da cloroquina melhore a sobrevida do paciente. Não há um estudo randomizado [científico] em nenhum lugar do mundo. Isso é para sair do foco principal, da política de isolamento e de financiamentos de leitos. Compra de equipamentos de Unidade de Terapia Intensiva é que nos interessa”, afirma o secretário estadual de Saúde, Geraldo Resende.

A orientação do Ministério da Saúde, divulgada ontem, é vista como perda de tempo pelo secretário de Saúde de Campo Grande, José Mauro Filho. “Se cria um contexto político, mas a prescrição é do médico, depende da indicação médica”, reforça.


De acordo com José Mauro, se houver necessidade será solicitado o medicamento para o Ministério da Saúde.

– CREDITO: CAMPO GRANDE NEWS

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