Queda de 70% das vendas faz Ricardo Eletro pedir recuperação judicial

A rede varejista Ricardo Eletro entrará no início da próxima semana com uma ação cautelar preparatória de Recuperação Judicial na 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais, no Foro Central Cível de São Paulo. O pedido de ajuda ao judiciário acontece poucos dias após o fundador do grupo varejista, Ricardo Nunes, ser preso em Minas Gerais em operação que investiga sonegação fiscal e lavagem de dinheiro no estado mineiro. A força-tarefa composta pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), pela Receita Estadual e pela Polícia Civil acusa o grupo de ter sonegado cerca de 400 milhões de reais ao longo de quase 10 anos. Agora, com o grupo pressionado pelos credores e pela queda expressiva de faturamento durante a pandemia, a empresa recorre à Justiça para blindar seus ativos e renegociar as dívidas. A partir do momento em que a ação cautelar for aceita, a varejista terá 30 dias corridos para apresentar o pedido principal de recuperação judicial.

A Máquina de Vendas, holding da qual pertencem a Ricardo Eletro e outras quatro grandes varejistas regionais, até tentou evitar que a situação chegasse a esse ponto. Em março, a varejista entrou com uma liminar na Justiça paulista com o intuito de proteger a empresa. Nos autos, a companhia alegava estar com 74 lojas com pedidos de despejo — cerca de 25% do número total de unidades — e aproximadamente 100 milhões de reais em ordens de bloqueio de ativos da rede. O grupo ainda tem outras grandes dívidas. A companhia está entre os 500 maiores devedores da Previdência Social, por falta de recolhimento de obrigações previdenciárias para o INSS. Ao todo, a Ricardo Eletro deve mais de 75 milhões de reais à União — a empresa reconhece uma parcela dessa dívida e estava renegociando o valor com o Estado, mas, com a pandemia do novo coronavírus, as negociações foram paralisadas. A rede varejista possui lojas em 17 estados e teve um plano de recuperação extrajudicial homologado pela Justiça em 2019. Na época, as dívidas eram estimadas em 2,5 bilhões de reais com fornecedores e bancos.

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