GM: carros já estão mais caros e repasses aos preços vão continuar.

Por Estadão Conteúdo

O presidente da General Motors na América do Sul, Carlos Zarlenga, disse nesta sexta-feira, 30, que a indústria de veículos já promoveu aumento de preços de 10% neste ano e deve continuar fazendo reajustes para recompor suas margens de rentabilidade. Ao participar nesta sexta de congresso promovido pela Autodata, Zarlenga considerou que, embora prejudiquem os volumes, os repasses tornaram-se inevitáveis diante do encarecimento das peças importadas na esteira de quatro anos de desvalorização “contínua” do real.

“Com desvalorizações do real de 46% neste ano, tem de ter repasse de preço… Quanto mais repassa, mais afeta a demanda, mas não tem jeito”, afirmou o presidente da GM na região, lembrando que, na média, os componentes importados respondem por aproximadamente 40% do valor dos veículos montados no Brasil.

Segundo o executivo, em busca de rentabilidade, as montadoras também terão de, junto com seus fornecedores, adequar a estrutura de custos, mantendo o emprego no setor pressionado até o começo do ano que vem. Além disso, ele defendeu cautela nos investimentos em capacidade, ao avaliar, em referência à franca expansão de capacidade produtiva desta década, que o excesso de investimentos em novas linhas também explica as baixas margens de atualmente. “Tem mais participantes no mercado do que o mercado absorve no momento”, assinalou Zarlenga.

Apesar da reação das vendas de carros tanto no Brasil, após a flexibilização das quarentenas, quanto na Argentina, Zarlenga disse que o consumo de automóveis ainda deve levar três anos para retomar os volumes de 2019. Este cenário, observou, não estimula as matrizes das montadoras a investir na região, já que, só em 2023, o mercado volta ao nível de antes da pandemia, e o continente está longe de oferecer o prêmio pelo risco de investimento do capital. “Para melhorar, o Brasil pode acelerar as reformas e eliminar o déficit primário. A Argentina pode voltar a um rumo de coerência econômica. Mas são coisas difíceis na região. Qual é o atrativo de investir na América do Sul?”, questionou Zarlenga.

 
Compartilhe essa notícia com seus amigos:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *