Cerca de 95% dos peixes afetados pelo fenômeno ‘decoada’ em rio do Pantanal de MS são filhotes

Por Flávio Dias, G1MS — Campo Grande

Das quase 50 espécies afetadas pelo fenômeno da “decoada” (entenda mais abaixo) no rio Miranda, no Pantanal de Mato Grosso do Sul, 95% são filhotes, segundo pesquisadores do Instituto do Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul). A suspeita é de que esse fenômeno possa estar ligado também às queimadas do ano passado (2020) que destruíram mais 4 milhões de hectares do bioma.

Conforme o biólogo do Imasul, Heriberto Gimenes Junior, a suspeita da grande mortalidade na faixa-etária antes de atingir a fase a adulta, pode estar ligado com o fim da piracema que aconteceu em dezembro de 2020.

 

“Estamos avaliando os dados obtidos na coleta realizada na semana passada. Pelo que constatamos até o momento, indivíduos jovem aparentam ser mais sensíveis que os adultos. Algumas espécies como cascudos, bagres e tuviras predominaram entre as espécies registradas”., explicou ao G1

De acordo com Gimenes, na próxima quarta-feira (17), a mesma equipe retornará ao local e depois de realizar novas análises dos dados, será possível entender mais sobre a mortalidade dos filhotes por conta da primeira decoada de 2020.

O especialista em ictiologia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Fernando Carvalho, explica que este fenômeno acontece agora no período de subida das águas dos rios do Pantanal.

Ainda de acordo com Carvalho, a decoada é um fenômeno natural que ocorre quando as águas dos rios do Pantanal extravasam para as áreas da planície que secaram durante a estação seca e agora, na estação chuvosa, estão com muita vegetação e matéria orgânica.

Equipe do Imasul fez levantamento e constatou que 46 espécies já  foram afetadas pela 1ª decoada de 2021. — Foto: Heriberto Gimenes Junior/Foto

Equipe do Imasul fez levantamento e constatou que 46 espécies já foram afetadas pela 1ª decoada de 2021. — Foto: Heriberto Gimenes Junior/Foto

“Quando a água da calha dos rios entra na planície, processos de oxidação nesta matéria orgânica deixam as águas com pouco oxigênio dissolvido (condição de hipóxia) ou mesmo sem oxigênio (condição de anóxia), além de elevar os níveis de concentração de gás carbônico na água”, explicou Carvalho.

Quantidade de espécies de peixes podem ser prejudicadas por conta de queimadas no Pantanal. — Foto: Tai Strietman/Foto

Quantidade de espécies de peixes podem ser prejudicadas por conta de queimadas no Pantanal. — Foto: Tai Strietman/Foto

O especialista também explicou que, “nesta condição, os peixes ‘agonizam’ por falta de oxigênio e muitos morrem”. “Quanto mais matéria orgânica e outros compostos presentes na área, por exemplo cinzas, mais intensos os processos de decomposição e de alteração das propriedades físico-químicas da água”, explicou ao G1.

Outra preocupação do pesquisador é que a primeira decoada deste ano poderá ser mais intensa devido aos grandes incêndios que devastaram o bioma em novembro de 2020.

Como mostra o vídeo abaixo, a maior parte das queimadas foi provocada por ação humana.

“As cinzas que estão no solo alteram a qualidade da água. A matéria orgânica em deposição deixa a água com a cor mais escura e aliado a diminuição drástica de oxigênio, os peixes vão para a superfície em busca de ar”, finaliza.

Segundo o biólogo do Imasul, Heriberto Gimenes Junior, a equipe ainda avalia se esta primeira decoada do ano teve interferência dos grandes incêndios que devastaram a região ou se foi somente um fenômeno natural.

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