Secretário de Saúde do RJ diz que não foi notificado sobre casos de seringas vazias: ‘Fui avisado pela mídia’

Carlos Alberto Chaves falou ainda que não vai ‘ceder a pressões’ para distribuir logo a segunda dose da CoronaVac.

O secretário estadual de Saúde do RJ, Carlos Alberto Chaves, afirmou que o governo ainda não foi oficialmente notificado sobre casos de seringas vazias na vacinação de idosos.

Até esta terça-feira (16), três casos tinham surgido no RJ: um na capital, um em Niterói e um em Petrópolis. A Polícia Civil investiga se houve peculato — crime cometido por funcionário público que desvia material para proveito próprio ou alheio.

“Me preocupa a não ação imediata. Demorou a chegar aos órgãos de controle e à polícia. Eu fui avisado pela mídia. Nenhum momento chegou qualquer notificação dos municípios”, disse Chaves, em entrevista ao Bom Dia Rio desta terça.

Segundo Chaves, “o sentimento é de tristeza”. “A que ponto chega a capacidade do ser humano de tomar uma ação desse tipo?”, destacou.

“Em um dos casos que eu vi, o técnico não tinha condição de aplicação — ou por imperícia ou por dolo. Não podemos aceitar que isso vire normal. Os idosos ficam numa situação muito frágil”, emendou.

Chaves disse ainda que não há previsão da chegada de lotes de vacinas e que não vai antecipar a remessa das caixas da CoronaVac reservadas para a segunda dose.

“A pressão da segunda dose está causando pânico. Eu não vou entregar a segunda dose até que cheguem novos lotes”, afirmou.

As situações são descobertas porque, no tão esperado momento da vacinação, a conduta acaba sendo gravada pelas famílias.

Foi o caso de um idoso que vive em Niterói, na Região Metropolitana, mostrado pelo RJ2 desta segunda-feira (15).

O idoso foi levado a um posto daquela cidade e a profissional de saúde, aparentemente, fingiu aplicar a dose. A família reclamou e a Secretaria de Saúde do município fez uma auditoria no local e encontrou uma seringa descartada com líquido.

A pasta informou que a profissional foi identificada e afastada do serviço até o fim de uma investigação. O idoso que tomou a falsa vacina precisou ser imunizado em casa.

De Niterói para a Região Serrana, em Petrópolis a vítima da vacinação falsa foi uma idosa de 94 anos.

Em um vídeo, a técnica de enfermagem aparece tentando tirar a proteção da agulha. Um parente da idosa reclama, afirmando que é melhor trocar a seringa.

Nas imagens, a profissional vai até uma tenda e pega uma outra seringa, que estava vazia. Depois que o vídeo viralizou na internet, a Prefeitura de Petrópolis confirmou que a seringa estava sem o líquido e afastou a técnica. E a idosa teve que voltar ao posto para se vacinar.

De acordo com a Secretaria de Saúde de Petrópolis, a profissional disse que não percebeu que não havia a dose na seringa, e que não foi intencional.

Além de Niterói e Petrópolis, teve denúncia de “vacina de vento” também no Rio. O caso foi com um idoso que procurou o posto drive-thru do Parque Olímpico, na Barra da Tijuca, Zona Oeste. Nos vídeos gravados pela família, é possível ver que o profissional de saúde não aperta o êmbolo da seringa.

A filha do idoso contou, em áudio enviado ao RJ2, que a família foi encaminhada para um dos boxes para seguir com a vacinação e apareceu um “rapaz acompanhado de uma vacinadora”.

De acordo com a filha, a mulher estava identificada com crachá e o nome no jaleco. O homem, entretanto, não tinha identificação alguma. Estava apenas com o jaleco branco, segundo ela.

 

“Quando eu comecei a questionar e a falar: ‘Mas peraí, você não…’, a vacinadora, que estava do lado, não sei se ela percebeu que eu estava filmando, eu não sei se ela também percebeu que ele não aplicou, ela virou para ele e falou: ‘Você não fez a aplicação, tem que apertar o êmbolo’. Daí, teve que novamente furar o meu pai e, aí sim, ocorreu a aplicação”, detalhou a filha.
 
 

“Cabe ressaltar à população que a enfermagem é a profissão mais qualificada para a vacinação. Inclusive, é reconhecida internacionalmente para isso”, frisou.

Ministério Público e Defensoria apuram transferências

E a Defensoria Pública da União e do estado, além do Ministério Público Federal e do Rio seguem numa outra investigação. Eles apuram a transferência de doentes com Covid de Manaus sem o conhecimento do governos do estado e municipal.

Na sexta-feira, o RJ2 mostrou que autoridades constataram irregularidades durante as transferências e pediram explicações ao Ministério da Saúde. Um paciente – que acabou morrendo – ficou em duas enfermarias que não atendem casos de coronavírus.

Numa delas, duas pessoas já testaram positivo pra Covid A Secretaria estadual de Saúde espera pelo resultado dos testes que vão verificar se elas foram contaminadas com variante brasileira do coronavírus, que circula em Manaus e em outras cidades do país.

Os pesquisadores suspeitam que essa variante tenha uma capacidade maior de transmissão. E entre ontem e hoje, mais pacientes com Covid foram trazidos da região norte. Eles chegaram em cinco voos fretados pelo Governo de Rondônia, da capital Porto Velho.

Os pacientes são duas mulheres e três homens, que têm entre 46 e 66 anos de idade. Desta vez, a Secretaria estadual de Saúde do Rio foi notificada e pôde fazer a regulação adequadamente.

Os pacientes estão na Unidade de Terapia Intensiva do hospital São Francisco da Providência de Deus, na Tijuca.

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