Brasil consegue vacinar 60 milhões por mês contra covid-19; só falta a vacina, diz fundador da Anvisa

  • Nathalia Passarinho – @npassarinho
  • Da BBC News Brasil em Londres

Pouco depois de iniciar o seu programa de vacinação contra a covid-19, o Brasil já figurava entre os 10 países com maior número absoluto de imunizados, embora tenha largado atrás de nações europeias e de países sul-americanos, como Argentina e Chile. Mas a rapidez garantida pela experiência do Sistema Único de Saúde (SUS) com vacinações esbarra na falta de vacinas e planejamento.

Segundo o médico sanitarista Gonzalo Vecina Neto, professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), se o Brasil tivesse negociado e comprado mais doses antecipadamente, teria estrutura para concluir a vacinação de toda a população brasileira com mais de 18 anos até o meio do ano.

Fundador e primeiro presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), criada em 1999, Vecina Neto calcula que o SUS tem condições de administrar 3,04 milhões de vacinas contra a covid-19 por dia, o que daria cerca de 60 milhões de vacinados por mês, considerando 20 dias úteis.

Como existem 159,1 milhões de brasileiros com mais de 18 anos, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2019, seria possível concluir as duas doses, diz Vecina Neto, em meados de julho. Por enquanto, as vacinas contra covid-19 não são administradas em crianças e adolescentes, por isso o cálculo só considera adultos.

“Temos hoje 38 mil unidades básicas de saúde com pelo menos uma sala de vacinação com geladeira especializada em módulos, que conserva a temperaturas de 2 a 8 graus. Na pior das hipóteses, se consegue vacinar 10 pessoas por hora”, explica Vecina Neto, que já foi secretário municipal de Saúde de SP, entre 2003 e 2004, e secretário Nacional de Vigilânca Sanitária, no Ministério da Saúde.

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