MPRJ denuncia e pede que técnica de enfermagem indiciada por falsa vacinação em Niterói seja presa

Por Nicolás Satriano, G1 Rio

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou e pediu à Justiça a prisão preventiva – por tempo indeterminado – da técnica de enfermagem, Rozemary Gomes Pita, de 42 anos, indiciada pela polícia por peculato e crime contra a saúde pública.

No dia 12 deste mês, a profissional não aplicou a vacina CoronaVac em um idoso em Niterói, na Região Metropolitana. Em depoimento à Polícia Civil, ela alegou que estava “extremamente cansada e estressada”.

Para justificar a necessidade da prisão preventiva, o MP afirma que, “tratando-se de uma profissional de saúde, sua liberdade traz riscos para a ordem pública, sendo a custódia cautelar preventiva solicitada a medida necessária para a prevenção do crime narrado”.

A 2ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal Territorial do núcleo de Niterói afirma que os crimes cometidos Rozemary são dolosos (intencionais), e o caso de peculato (apropriação ou desvio de um bem público por servidor) prevê prisão por mais de quatro anos.

A técnica também foi denunciada por não cumprir determinação do poder público para impedir propagação de doença contagiosa.

A denúncia foi apresentada à Justiça na sexta-feira (19). O G1 tenta entrar em contato com a defesa da técnica de enfermagem.

Demissão

Após a conclusão do inquérito, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) informou que a profissional de saúde “foi desligada do quadro de funcionários do órgão”.

Técnica de enfermagem é indiciada e demitida por não ter aplicado vacina contra a COVID em idoso, no Rio
 
Técnica de enfermagem é indiciada e demitida por não ter aplicado vacina contra a COVID em idoso, no Rio
 
Foi a primeira enfermeira indiciada pela polícia, por esse motivo, no Brasil

O delegado titular da 76ª Delegacia, Luiz Henrique Marques Pereira, afirmou ao G1 que o inquérito já foi finalizado e encaminhado à Justiça. Ele decidiu indiciar a técnica de enfermagem pelo crime de peculato na modalidade de desvio e pelo crime contra a saúde pública, artigo 268 do Código Penal.

“Ela disse que não sabia explicar por que fez aquilo, que em 10 anos de profissão ela nunca tinha cometido tal deslize e não conseguiu explicar as razões de não ter aplicado o êmbolo. Inicialmente, ela alegou que estava estressada e extremamente cansada. Mas é muito difícil explicar o inexplicável”, disse o delegado.

O crime de peculato pode chegar até 12 anos de prisão, segundo a polícia.

VÍDEO: flagrantes de falsa aplicação da vacina ou seringas vazias
 
Casos, que estão sendo investigados, foram registrados em Goiânia, Maceió, Rio de Janeiro, Niterói e São Paulo.

Imagens registraram falsa vacinação

Rozemary aparece em um vídeo no posto drive-thru do bairro do Gragoatá fazendo a imunização da população. As imagens foram gravadas pela família do idoso e compartilhada em redes sociais.

Segundo o delegado, a gravação foi fundamental para a conclusão do caso. Após a ocorrência, o idoso foi procurado pelas autoridades de saúde e imunizado.

Mais uma técnica em enfermagem foi parar na delegacia, suspeita de aplicar a vacina de vento.
 
Mais uma técnica em enfermagem foi parar na delegacia, suspeita de aplicar a vacina de vento.

A técnica de enfermagem Adenilde Lourenço da silva chegou à delegacia em Copacabana, num carro da polícia. Ela tinha sido intimada a depor e os policiais foram buscá-la em casa. Adenilde aplicava vacinas no centro municipal de saúde João Barros Barreto, que fica no bairro e é suspeita de dar uma falsa dose.

“Fica claro que ela não aperta o êmbolo, fica claro que ela não estava estressada. E mais, quando questionada se apertou a seringa de forma correta, ela responde de forma irônica. O que demonstra que ela tinha plena consciência do que estava fazendo.”

Partes da seringa — Foto: Arte/G1

Partes da seringa — Foto: Arte/G1

A funcionária já tinha sido afastada das funções assim que o caso foi divulgado. A secretaria reforçou a orientação dos protocolos de aplicação da vacina com os funcionários e supervisores dos pontos de vacinação.

O Conselho Regional de Enfermagem do Rio (Coren-RJ) recebeu a denúncia contra a profissional e abriu um procedimento para “averiguar se houve ocorrência de negligência, imperícia ou imprudência, e irregular conduta ética”.

Ainda de acordo com o conselho, a técnica e a enfermeira responsável serão convocadas, para prestar depoimento à Comissão de Ética do órgão. Segundo o Coren, ela pode ser punida com a suspensão ou a cassação do registro profissional.

O G1 fez contato com a funcionária, mas ainda não recebeu retorno.

Falsa aplicação em Copacabana

A Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro (SMS) afastou nesta quinta-feira (18) uma técnica de enfermagem que teria deixado de aplicar a vacina contra a Covid-19 em uma idosa de 85 anos, no Centro Municipal de Saúde João Barros Barreto, em Copacabana, na Zona Sul. O caso aconteceu no dia 27 de janeiro.

Segundo informações da família do idosa, no momento da vacinação, a seringa estava vazia ou com uma quantidade mínima do imunizante. O caso está sendo investigado pela 12ª DP (Copacabana). Segundo a Polícia Civil, a profissional de saúde já foi identificada e prestará depoimento.

Outros casos no país são investigados

Além do caso registrado em Niterói, outros ocorreram em: Goiânia, Maceió, Rio de Janeiro e São Paulo. O Jornal Nacional mostrou denúncias na terça-feira (16) sobre aplicação incorreta da vacina contra Covid. Os conselhos de enfermagem, o Ministério Público e a polícia estão investigando os profissionais de saúde envolvidos.

As autoridades de saúde consideram as vacinas fake fatos isolados, mas já viraram caso de polícia. Vídeos que registram a hora da vacinação servem de prova das irregularidades para a investigação.

 

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