Pesquisadores registram onça-pintada atravessando rio Paraguai: ‘Após queimadas, animais voltam para casa’

Por José Câmara, G1 MS

Resiliência: “propriedade que alguns corpos apresentam de retornar à forma original após terem sido submetidos a uma deformação”. É diante desta termo, que pesquisadores definem o flagrante de pesquisadores que mostram uma onça-pintada atravessando o rio Paraguai e se direcionando à Serra do Amolar, no Pantanal sul-mato-grossense.

Um vídeo mostra a onça pintada atravessando a nado o rio Paraguai. O flagrante foi feito por pesquisadores do Instituto Homem Pantaneiro (IHP). 

“Após as queimadas que castigaram o Pantanal, estamos vendo animais voltando para casa. Ver essa onça atravessando o rio e seguindo para a Serra, mostra que o ambiente está sendo capaz de acolher novamente a fauna que ali habitava antes do fogo”, de forma clara, explica a doutora em ecologia e conservação, Letícia Larcher.

Os incêndios florestas destruíram em 2020 no Pantanal de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, 1.250 milhão de hectares, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Após este cenário de destruição, devastação e sofrimento à fauna e flora, novos indicativos são apresentados aos pesquisadores em conservação do bioma. De acordo com o diretor-presidente do IHP, coronel Ângelo Rabelo, o período entre janeiro e fevereiro demostram um alívio com a chegada das chuvas, momento que proporciona, pouco a pouco, o retorno de animais que estão no topo da cadeia alimentar ao Pantanal.

 

“Vendo a onça retornando ao ambiente, mostra que outros animais e vegetações estão presentes na Serra do Amolar, local fortemente atingido pelas queimadas em 2020. A onça por estar no topo da cadeia alimentar, demonstra que a fauna e a flora está se recompondo ao longo do tempo”, ancorado no termo de “resiliência”, o coronel Rabelo explica o processo atual.

Onça atravessa rio para ‘voltar para casa’ — Foto: IHP/Divulgação

Diante dos fatos, especialistas temem pelo pior cenário. A doutora em conservação, Letícia Larcher, explica que a meteorologia prevê uma concentração de chuva muito baixa para 2021. “Quando pensamos nas queimadas do Pantanal, entendemos que as mudanças climáticas são decisivas para agravar o efeito do fogo. O desmatamento na Amazônia e a degradação de nascentes na região do Cerrado são agravantes no caso de grandes queimadas”.

De olho nas mudanças climáticas e no histórico de fogo, os especialistas trabalham intensivamente para combater as possíveis destruições ambientais. O Pantanal registrou 301 focos de calor somente nos primeiros 15 dias de fevereiro, de acordo com o IHP. Letícia Larcher afirma que neste momento, o recado deve ser único, como um mantra: “o alerta existe, devemos ficar atentos e agir ainda quando se pode prevenir”.

 

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