Um ano após 1ª morte por Covid, doença está mais letal e mata também os jovens

Há um ano, no dia 3 de abril de 2020, o gerente de um supermercado em Lucas do Rio Verde (a 332 km de Cuiabá), Luiz Nunes, de 54 anos, morreu de Covid-19. Hipertenso e diabético, ele foi a 1ª vítima do vírus em Mato Grosso. Após uma viagem para o Sul do país, teve sintomas e foi internado com síndrome respiratória aguda. Ficou internado por 4 dias em um hospital do município, mas não resistiu.

De lá para cá, outras 7,7 mil pessoas foram vítimas fatais da doença, conforme dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES), contabilizados até 1º de abril. Há um mês, contudo, doença se mostrou cada vez mais fatal. No dia 22 de março, foram 125 mortes em menos de 24 horas no Estado, recorde desde o início da pandemia.

Conforme explicou o médico e coordenador do pronto atendimento do Hospital São Mateus, Maikon Ticianel, se antes os pacientes idosos e com comorbidades eram os mais prejudicados pela doença, hoje mais da metade das Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) estão ocupadas por pessoas que têm menos de 50 anos.

“É uma doença que começou com o contágio de todas as faixas etárias, mas com gravidade para pacientes mais velhos. E agora de 3 meses para cá, mais ou menos, em um ciclo que começou em dezembro e se agravou no final de fevereiro, atingiu pacientes mais jovens. Consideramos esse adulto jovem na faixa dos 18 até os 50 anos, que são os pacientes que mais estão sendo agredidos no momento”, explicou.

Dados

Documento com microdados disponibilizados pela SES contabilizam 7,4 mil mortes desde o início da pandemia, sendo 2 mil em Cuiabá. Levando em consideração essas informações, ao menos 5,2 mil vítimas tinham comorbidades. Outras 4 mil tinham de 66 a 109 anos. Ambos dos grupos fazem parte do grupo de risco para a Covid-19.

Em alguns casos, é claro, pacientes eram idosos e tinham comorbidades ao mesmo tempo. Entre as vítimas com doenças, 3,5 mil eram hipertensas, 2,3 mil tinham diabetes, 1,1 mil tinham problemas cardiovasculares, 653 eram obesos, 535 tinham disfunções pulmonares e 195 tinham neoplasias.

Quanto ao gênero, 3,1 mil eram mulheres e 4,3 mil eram homens. Fator que chama atenção é que ao menos 3,1 mil pessoas com idade entre 35 a 65 anos morreram em decorrência da Covid-19. Outras 259 tinham de 19 a 35 e 42 tinham de 0 a 18 anos.

“Hoje em dia os pacientes que mais morrem são os que têm de 30 a 50 anos de idade. Antigamente era raro falar que um paciente jovem morreu. Quando acontecia a gente pensava o que tinha dado errado para aquela pessoa morrer. Mas hoje em dia é muito comum, na verdade. Paciente com 30, 35 anos. São muitos os casos”, disse o médico.

Vírus mortal

De acordo com a percepção do médico, que está na linha de frente no combate ao vírus, na denominada 2ª onda o novo coronavírus está mais agressivo. Tanto que foi necessário mudar alguns protocolos de atendimento. Se antes demorava até 14 dias para que pacientes evoluíssem para um quadro grave, hoje isso acontece com até 7 dias.

“É uma situação bem crítica. Não dá para provar ainda, mas a gente acredita que seja por conta dessa nova cepa. Não faz sentido a cepa antiga fazer algo que ela não fazia em outro momento. Na medicina a gente acredita que seja essa cepa mais agressiva. Então temos uma quantidade de leitos ocupados muito maior e uma mortalidade muito maior também”, explicou.

Para além de Luiz Nunes, Mato Grosso perdeu em um ano 7,6 mil vidas irrecuperáveis, que têm rosto, nome, sobrenome e deixaram saudades e lembranças aos que ficaram. Entre elas, a ex-primeira-dama de Várzea Grande, Amália Curvo Campos, de 96 anos. A mãe do senador Jayme Campos e de Julio Campos não resistiu à doença no dia 10 de fevereiro deste ano.

Entre os políticos, ainda, o ex-governador Frederico Campos, de 93 anos, morreu no dia 28 de fevereiro após 10 dias internados em uma UTI de um hospital particular de Cuiabá. A morte mais recente foi a do deputado estadual Sílvio Fávero, que teve um quadro de infecção generalizada decorrente da Covid-19 e morreu no dia 13 de março.

Entre os religiosos, bispo da diocese de Rondonópolis (a 218 km de Cuiabá), Dom Juventino Kastering, morreu aos 74 anos após passar 17 dias em uma unidade intensiva do município. Ele estava em estado grave e teve 80% dos pulmões comprometidos. No ano passado, o presidente das Assembleias de Deus de Mato Grosso, pastor Sebastião Rodrigues de Souza, de 68 anos, não resistiu após 12 dias internado.

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