Crime ou acidente? Incêndio em paróquia de MS acontece em meio à ‘guerra’ entre fiéis e igreja

Um incêndio atingiu a Paróquia Sagrado Coração de Jesus, em Porto Murtinho, na tarde desta terça-feira (6), e destruiu a sala onde ficavam guardados os instrumentos musicais. Este é o terceiro incêndio envolvendo a igreja em menos de um ano. 

Segundo a imprensa local, a informação preliminar é que um curto-circuito teria dado início ao fogo, mas nada foi confirmado. A situação aconteceu na sala onde ficam guardados equipamentos musicais utilizados pela Secretaria de Assistência Social e todos os instrumentos foram atingidos pelas chamas. O Corpo de Bombeiros foi acionado por volta de 15h30 para conter o fogo. 

Sala incendiada nas dependências da Paróquia (Divulgação)

Incêndios envolvendo a Paróquia, que fica na área central do município, têm sido recorrentes. A casa paroquial, localizada junto à igreja, pegou fogo em 13 de junho de 2020, data do aniversário de Porto Murtinho. Na época, padre Matheus Ferreira era o líder da comunidade.

Em janeiro deste ano, o carro da igreja, usado pelo padre, foi incendiado. Agora, um mês após a saída de Matheus da cidade, foi a vez da igreja ser atingida pelas chamas. 

Rixa na comunidade 

Indignados com a saída do antigo padre, fiéis não gostaram que a diocese mudou o pároco dali. Insatisfeitos, muitos decidiram se afastar da igreja e passaram a rejeitar os novos representantes religiosos que chegaram a Porto Murtinho.

A TAG #FicaPadreMatheus foi levantada por inúmeros fiéis nas redes sociais e não surtiu efeito. É regra da igreja católica que padres mudem de cidade de tempos em tempos. Inconformados e ignorando a decisão do bispo, moradores da cidade se manifestaram fervorosamente.

Uma das inúmeras publicações pedindo para o religioso permanecer na cidade (Reprodução)

 

Obcecados pela figura do padre, fiéis se deslocaram em dois ônibus até a cidade de Anastácio, novo lar de Matheus. “Agora só assistimos missa aqui e é aqui que vamos deixar o nosso dízimo”, relataram alguns moradores.

Os fiéis chegaram a mudar o nome do grupo da paróquia no WhatsApp, que se tornou “Amigos do Padre Matheus”.

Destratando os novos párocos enviados pelo Bispo, membros da igreja avisaram que “se eles quiserem, que criem um novo grupo”. Dias depois, o próprio padre Matheus saiu do grupo que usurparam para enaltecê-lo, deixando seus entusiastas a ver navios.

O incêndio desta terça-feira é marcado por todos esses acontecimentos envolvendo a Igreja Católica da cidade. A perícia deve apurar se as causas foram criminosas ou acidentais.

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