Com hemorragia, Bruno Covas vai para a UTI e é intubado

 

O prefeito licenciado de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), foi transferido nesta segunda-feira, 3, para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Sírio-Libanês, na capital, e teve de ser intubado após exames detectarem uma hemorragia na cárdia, um dos órgãos atingidos pelo câncer que o prefeito enfrenta desde novembro de 2019. Ele havia se licenciado por um período de um mês da Prefeitura no domingo, 2, para se dedicar ao tratamento. O vice-prefeito, Ricardo Nunes, assume o cargo. “Covas confia em mim”, disse nesta segunda ao Estadão.

O sangramento de Covas foi detectado por uma endoscopia e está sendo tratado com “medidas de hemostasia local”, segundo boletim médico divulgado na manhã desta segunda. “O prefeito Bruno Covas foi encaminhado para Unidade de Terapia Intensiva submetendo-se a intubação oro-traqueal e recebendo as medidas adequadas de suporte clínico”, informa o texto.

Segundo o oncologista Tulio Pfiffer, que faz parte da equipe que acompanha o prefeito, o sangramento já está controlado. “Ele foi transferido para a UTI por zelo após a suspensão do sangramento e para ser avaliado de perto”, disse. Segundo Pfiffer, o sangramento se deu no local da primeira lesão, ou seja, na cárdia, estrutura que funciona como uma válcula entre o estômago e o esôfago. O médico, no entanto, afirmou que o fato de o sangramento ter ocorrido no mesmo local do primeiro tumor “não significa necessariamente” nova piora da doença.

O prefeito de São Paulo, Bruno Covas  © Marcelo Chello/Estadão (1/12/2020) O prefeito de São Paulo, Bruno Covas 

Ainda de acordo com a equipe médica, a intubação servirá para evitar que, no caso de nova hemorragia, o sangue siga para os pulmões, o que poderia comprometer ainda mais o quadro do prefeito.

Covas não relatou dor, ainda de acordo com Pfiffer. O prefeito está com anemia, o que, segundo o especialista, pode ter colaborado para o sangramento detectado nesta segunda. Enquanto esteve internado, na semana passada, Covas chegou a receber complementação alimentar intravenosa para auxiliar o processo alimentar regular, por via oral, para que ele ganhasse força.

Não há previsão, ainda de acordo com Pfiffer, para que o prefeito deixe a UTI.

Covas tinha a internação programada para este fim de semana para dar continuidade ao tratamento. O procedimento inclui uma combinação de quimioterapia e imunoterapia. Diante dos efeitos adversos do processo, no domingo o prefeito decidiu se licenciar – em abril, ele ficou 12 dias internado no Sírio após descobrir uma evolução do câncer, que além de atingir ao menos cinco pontos do fígado, também se espalhou para ossos da bacia e da coluna. Um acúmulo de líquidos ao redor do pulmão e do abdômen, enfrentado com uso de um dreno, adiou sua alta, que havia ocorrido no dia 27.

‘Prefeito está preocupado, como nós também’, diz David Uip

Em entrevista à Rádio CBN, o infectologista David Uip, que também faz parte da equipe que atende o prefeito, disse que Covas “está preocupado” com a evolução do caso.

“O prefeito é sempre bem-humorado. Ele é um ser acima da média. Um lutador, um guerreiro. Elegante, gentil e bem-humorado. Mas obviamente, e eu o conheço desde menino, sei que ele está preocupado. Como nós também estamos muito preocupados”, afirmou o médico. Ao Estadão, Uip complementou: “Todo tumor que sangra preocupa.”

O clima na Prefeitura é de tristeza. Apesar de considerado bastante fechado, Covas é querido entre os funcionários do gabinete, que acreditam na disposição do prefeito em vencer mais essa etapa da doença.

O vice-prefeito, Ricardo Nunes, estava em reunião quando soube da internação na UTI. Neste primeiro dia como prefeito em exercício, não há previsão de agendas externas. A previsão é de mais reuniões ao longo do dia com o chamado “núcleo duro” do governo, do qual fazem parte os secretários Rubens Rizek, de Governo, Alexandre Modonezi, das Subprefeituras e Ricardo Trípoli, da Casa Civi.

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