Tite elogia a Argentina, mas vê antijogo na final da Copa América e critica presidente da ConmeboL

 
 

Em entrevista coletiva após a derrota do Brasil por 1 a 0 para a Argentina, na final da Copa América, no Maracanã, o técnico Tite afirmou que a Seleção fez o melhor trabalho possível e evitou se aprofundar na análise do desempenho da equipe.

Tite reconheceu os méritos dos argentinos, mas lamentou o que tratou como antijogo do adversário, que “picotou” a decisão com faltas.

– O sentimento é de tristeza, mas primeiro de reconhecimento do outro lado. Se não for assim, a gente faz do futebol como o que ganha é bom e o que perde é terra arrasada. Temos que olhar o outro lado. Aqui tem um profissional que tem um pouco de lastro para saber reconhecer o outro lado. Teve o trabalho, a qualidade técnica individual, teve as estratégias, teve o seu tempo, e fez um enfrentamento, com efetividade e conseguiu conquistar. Prefiro reputar e reconhecer o outro lado pelo valor da vitória – declarou o técnico.

– O que vou falar é que teve um jogo picotado, que a gente queria jogar, mas o que tinha era antijogo, cavando faltas o tempo todo, demora para bater, árbitro… não deu ritmo, a gente queria jogar. A estratégia foi picotar, enfim. Defensivamente é uma equipe muito bem postada, com o goleiro vindo muito bem, com uma linha de quatro com qualidade, peça de reposição importante. Volto a dizer: tem mérito do outro lado. Tem só esse fator que talvez estivesse se referindo o César (Sampaio, auxiliar), que é o antijogo, mas temos que passar por cima disso – completou.

Tite Brasil Argentina Maracanã final Copa América — Foto: Ricardo Moraes/Reuters

Tite Brasil Argentina Maracanã final Copa América — Foto: Ricardo Moraes/Reuters

Assim como já havia feito em outros momentos da Copa América, o técnico fez críticas à organização do torneio. Desta vez, porém, falou especificamente sobre Alejandro Domínguez, presidente da entidade:

– O tempo junto, sim (foi importante). A organização da competição, muito rápida, ficou devendo muito. Qualidade dos gramados… nós quase perdemos o Weverton em um treinamento, porque o gramado trancou e ele teve luxação de dedo, foi uma exposição dos atletas em cima de pouco tempo, o que é impossível diante da grandeza da competição. Estou falando especificamente sobre o responsável, Alejandro, que é o presidente da Conmebol. Estou falando dele, por ter organizado uma competição em tão curto espaço de tempo

A derrota na final da Copa América foi a quinta de Tite no comando da Seleção em 61 jogos desde 2016. Antes, ele já havia perdido duas vezes para a Argentina (em amistosos).

O próximo compromisso do Brasil será em setembro, contra o Chile, pelas Eliminatórias.

Veja outros trechos da entrevista coletiva de Tite:

Análise

 

– O que eu posso falar em relação à seleção brasileira é que ela fez esses 40 dias juntos fazendo o melhor trabalho possível, utilizando muitos jogadores importantes, tento alternâncias de movimentos táticos e escalações. A mim compete trabalhar e demonstrar no campo. A análise, com crítica ou elogio, é a critério de vocês, não meu.

 

O que fica de positivo?

 

– Você me faz uma pergunta que e contextual e em cima de uma campanha de sete jogos. Eu estou com a emoção do jogo agora, e qualquer resposta em cima do conjunto todo tem que ser analisado para ter uma profundidade. Então, o que eu posso te dizer a grosso modo é que a utilização de todos os atletas convocados é um fator extremamente importante. E nós colocamos isso desde o início como objetivo. Era vencer, sim, mas também oportunizar esses atletas. Esse foi um dos aspectos importantes.

Neymar parabenizando Messi

 

– (A imagem) Diz que existem adversários, não inimigos. O futebol, dentro do campo, ele te traz isso. O legado maior que o esporte te dá é que ele tem o lado humano, o lado de educação, de amizade, que transcende (o resultado). Então, quando teve a confraternização de outros jogadores e também entre nossa comissão técnica, em relação à comissão técnica adversária, ela passa também uma mensagem para o público. Passa uma mensagem de conduta, de que pela maior dor que se tenha, tem que ter resignação e conhecimento. Não é palavra para ser bonito ou para justificar derrota. Não estamos falando. Estamos assumindo erros e falhas, mas tem uma coisa que transcende. Talvez esteja falando aqui o Adenor, professor de Educação Física, o pai de família, o educador, que possa passar conduta, que se perde, que tem dignidade em perder e reconhecer o outro lado. Talvez essa forma como foi visto do Neymar com o Messi e outras tantas possam mostrar a grandeza do esporte.

 

Surpreendido pela escalação argentina?

 

– Nós tínhamos previsto já as alternativas que eles tinham de ataque, e o Di María era uma delas. A iniciação do Paredes também era uma delas. Alternar o zagueiro, também. O desenho permanecia o mesmo, no 4-4-2. O que tinha é o reconhecimento. Venceu, temos que ter essa grandeza do reconhecimento, por mais dolorido que seja, por mais difícil que seja, mas precisa ter a grandeza do esporte em reconhecer o outro lado.

 

Argentina pedra no sapato?

 

(César Sampaio, auxiliar) – Não encaro dessa forma. Os números muitas vezes não traduzem o que acontece no campo. Em jogos oficiais, duas vitórias e uma derrota. Perdemos um amistoso. Nem sempre o resultado final traduz o que foi o todo, e existem algumas maneiras de vencer e se disputar uma partida. Perdemos o ganhamos dentro do nosso modelo. Não queremos ganhar a qualquer custo. Então, parabenizo a Argentina, mas dentro do nosso modelo, algumas coisas não cabem. A gente não entende dessa forma e jamais usaríamos dessas maneiras de se vencer para conseguir êxito.

 

Lições que ficam

 

(César Sampaio, auxiliar) – Para mim, a lição é que nós temos que nos adaptar ao que o jogo pede e que nós temos um grande grupo. Muitas vezes, os momentos adversos as pessoas se distanciam da gente, mas nesse grupo foi ao contrário. Destaco isso. Triste, arrebentado pela derrota, mas muito orgulhoso por fazer parte de um grupo de homens de valores, princípios, que vão muito além de ganhar ou perder. O amor por vestir a camisa da seleção brasileira, por defender a nossa bandeira mundo afora.

(Tite) – Quando o César se remete a isso, eu passo para o público o seguinte: poucos de vocês sabem o que se passa dentro da preparação nossa, das ações, dos comportamentos dos atletas, das condutas, da lealdade. O que a gente tenta externar é exatamente essa capacidade. O esporte te traz uma lição muito forte, porque resiliência é um ponto que tem que ter. Um só vence, os outros têm que ter resiliência.

 
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