O número de eleitores com deficiência cresceu 71% em São José do Rio Preto (SP) entre as eleições de 2022 e 2026. A cidade passou de 2.284 pessoas nessa condição há quatro anos para 3.911 neste ano, segundo a Justiça Eleitoral, que prepara recursos de acessibilidade para facilitar o exercício do voto nas eleições de outubro.
Entre as medidas estão ferramentas para eleitores com deficiência visual e auditiva, identificação dos votos na urna eletrônica e transporte gratuito para pessoas com dificuldades de locomoção.
Apesar dos avanços, pessoas com deficiência ainda enfrentam barreiras para participar plenamente da sociedade, inclusive na hora de votar.
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Servidor testa sistema auditivo em urna eletrônica, no cartório eleitoral de São José do Rio Preto (SP): acessibilidade maior para eleitores deficientes — Foto: TV TEM/Reprodução
O atleta e técnico de basquete sobre rodas Paulo Jatobá convive diariamente com as dificuldades de acessibilidade e há décadas luta por políticas públicas voltadas à inclusão.
"A gente quer coisas diferentes, que sejam mais de ação, como políticas públicas, em relação à saúde, educação, esporte, a tudo. A gente ainda fica brigando pela acessibilidade", afirma Jatobá, em entrevista à TV TEM.
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Paulo Jatobá, de São José do Rio Preto (SP), relata dificuldades de acesso a espaços públicos: Justiça Eleitoral amplia acessibilidade para eleitores com deficiência — Foto: TV TEM/Reprodução
Recursos de acessibilidade na urna
Para atender ao aumento da demanda, a Justiça Eleitoral prepara as equipes e mantém recursos já utilizados em eleições anteriores, além de implementar novidades.
Segundo o chefe do cartório eleitoral Régis Pistori, de Rio Preto, eleitores com deficiência visual que estejam cadastrados no sistema terão acesso a um recurso de áudio na urna eletrônica.
Assim que o mesário inserir o número do título eleitoral ou o CPF do eleitor, o sistema habilitará um fone de ouvido para que as opções de votação sejam ouvidas.
A medida permite que pessoas cegas ou com deficiência visual acompanhem as opções apresentadas na urna e realizem o voto com mais autonomia.
Eleitores que utilizam a Língua Brasileira de Sinais (Libras) também poderão contar com o auxílio de intérprete para facilitar a comunicação durante a votação.
Outra novidade prevista para as eleições deste ano é uma tarjeta que indicará cada um dos seis votos que o eleitor deverá registrar.
O objetivo é facilitar a compreensão da sequência de votação e contribuir para que as pessoas com deficiência possam exercer o direito ao voto com mais autonomia e segurança.
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Urna eletrônica com sistema de Língua Brasileira de Sinais (Libras): cartório eleitoral de Rio Preto (SP) disponibiliza equipamentos para ampliar acesso de eleitores — Foto: TV TEM/Reprodução
Transporte para eleitores com dificuldade de locomoção
Além dos recursos disponíveis nas seções eleitorais, outra novidade é o programa Seu Voto Importa, que oferecerá transporte a eleitores com problemas de locomoção.
A iniciativa busca facilitar o deslocamento até o local de votação e o retorno para casa.
Para Marcelo Lavezo, advogado e presidente da Comissão de Direito da Pessoa com Deficiência da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Rio Preto, garantir acessibilidade vai além de preparar a estrutura das seções eleitorais.
"Não é só se preocupar com o local do exercício do voto. Mas é fazer com que a pessoa com deficiência chegue até lá, para votar, e volte para sua casa, e exerça seu direito a voto com dignidade", afirma.
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A aposentada Maria das Graças Aristóteles Gonçalves, de São José do Rio Preto (SP), defende que a inclusão precisa garantir participação efetiva — Foto: TV TEM/Reprodução
Inclusão vai além das eleições
Apesar das medidas para ampliar a acessibilidade no processo eleitoral, pessoas com deficiência ainda enfrentam obstáculos em diferentes áreas da vida cotidiana.
A aposentada Maria das Graças Aristóteles Gonçalves, que frequenta o Instituto dos Cegos e faz aulas de violão, defende que a inclusão precisa garantir participação efetiva, e não apenas a presença das pessoas nos espaços.
"Inclusão não é convidar você para a festa, é tirar você para dançar na festa, participar da festa. Porque a gente não vai a uma festa apenas para comer, não é verdade? Vai para conversar com amigos, para interagir", afirma.
Para o músico e professor Nei Cândido dos Santos, a educação desde a infância é fundamental para combater o preconceito e promover uma sociedade mais inclusiva.
"Desde o prezinho, a gente tem uma matéria sobre deficiências, para esta inclusão acontecer de verdade. Tem que falar sobre isso, colocar cartilha para crianças entenderem o amiguinho diferente", diz.
Segundo ele, trabalhar o tema desde os primeiros anos escolares é importante para desenvolver o respeito às diferenças e ampliar a participação das pessoas com deficiência na sociedade.
